Como se comunicar sem falar a lingua local?

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Quando pensamos em vir para a Itália, uma das primeiras coisas que me passou pela cabeça foi como seria a minha comunicação aqui. Como se comunicar sem falar a lingua local? Sem falar quase nada de Italiano?
Acho que em 2004/5 eu fiz uns 2 anos de curso de Italiano na Liga Itálica no bairro da Liberdade (sim, tem uma Liga Itálica no bairro mais oriental de São Paulo), mas fiquei sem estudar por uns 10 anos, não me lembrava de nada que havia estudado, quando eu falava que estava vindo para a Itália alguém sempre me pedia “ah fala algo ai em italiano!” e claro que eu travava, não conseguia e falava, “no parlo molto benne má capisco” (e nesses meses aqui não mudou muito).
E ai eu pensava, poxa, não vou ter dinheiro para estudar antes de ir, não vai dar tempo de estudar online por que temos um monte de coisa para resolver antes da viagem, e o tempo que tenho quero ficar com as pessoas que vou demorar para ver, como faz?
Então comecei a prestar atenção no meu dia a dia no Brasil, o quanto e o que eu falo português com pessoas que não conheço no meu cotidiano: na padaria, no transito, na rua, no metro, etc. Fiquei me colocando em situações possíveis no cotidiano na Itália mas no Brasil. Pensando como eu falaria isso em italiano e foi isso que estudei antes de vir, super básico mas essencial. Ou seja:
Cumprimentos
Dias da semana
Números
Direções
Ser/Estar (só no tempo presente, como não estudei muito o tempo passado brinco que não falo sobre meu passado)
Ir/Vir
Subir/Descer
Treinei mais as primeiras pessoas no singular.

Ainda no Brasil

E em todas as situações cotidianas no Brasil, depois de falar em português ficava pensando como falar em italiano. Se não sabia na hora, já pegava o tradutor e via como era. Não podia deixar para depois.
Comprei um dicionario e um livro de gramatica bem completo e compacto também.
Meu inglês é ruim, poderia treinar ele, mas mesmo assim não poderia confiar que um senhor no meio do interior da Itália pudesse falar inglês para me ajudar com as direções do mapa (situação hipotética extrema). Então o foco teria que ser no italiano mesmo.
Se você vai para outro país e fala fluente a língua, será tratado bem e talvez como igual. Se você não fala tão bem, mas mostra esforço e simpatia, terá mais chance de receber uma ajuda. Se você não fala nada e é antipático achando que o nativo tem obrigação de te entender, será mal tratado. Como disse, eu sabia que não conseguiria me encaixar no primeiro grupo a tempo, então teria que me encaixar no segundo grupo: não falar tão bem, mas ser esforçado e simpático.
Para ajudar e me encaixar nesse grupo vi alguns vídeos no youtube sobre pronuncia e isso ajudou muito. Se seu inglês é médio, você pode fazer o DUOLINGO, como eu fiz, ainda não tem Português/Italiano, mas tem Inglês/Italiano, então usei o pouco inglês que eu sabia para ajudar no italiano e ouvir pronuncias de modo fácil com o aplicativo.

Bom, e o resultado de tudo isso?

Olha, me sinto orgulhoso, pois no dia a dia, procurando casa, indo no mercado, falando com motorista, pedindo informações e fazendo amizades. A maioria das pessoas foram super solicitas e elogiaram o meu italiano! CLARO que esta longe de ser bom mas esta dando certo! E tem que meter a cara, não tem outro modo.
Um exemplo legal que passamos foi que logo que a Lia chegou aqui começamos a procurar casa com mais afinco e nos email’s de contato eu enviava meu numero de telefone. Então, em um momento o telefone toca e ai? Atender ou não atender? Atender e fazer um chiado como se estivesse no túnel e gritar “ no capisco niente!” não era uma opção. Precisava atender pois sabia que era ligação de corretor, aquela sensação de tempo congelado pairando no ar. O celular deve ter tocado umas três vezes no máximo! Mas a sensação era de uma semana olhando para ele, então antedi, falei, entendi, ele entendeu, desliguei e pronto. Deu certo! Falei ao telefone em italiano e sobrevivi!
Pessoalmente com os corretores foi a mesma coisa, falando o básico, com calma e explicando que estou aprendendo. Demonstrando no falar, na pronuncia que esta afim e sabe que é importante saber falar direito, ajuda muito. Algumas vezes quando vejo que estou perdendo a confiança da pessoa com quem estou conversando pergunto a ela como se diz aquilo que estou falando e na sequencia agradeço muito por estar me ensinado. Se coloque na situação do ouvinte, crie um pouco de empatia! É muito legal ajudar os outros e ser reconhecido, pois então, coloque a outra pessoa nessa posição, vai fazer bem aos dois.

Sem medo!

Não precisa ter medo, vai por mim, vai dar certo. Imagine as situações, pense em como contorná-las, tente praticar e antever o que está por vir. Na pior das hipóteses, sugiro aprender a desenhar desde já.
(ou se preferir pode comprar esse livro aqui POINT IT com diversas situações desenhadas para te ajudar)
pont it
pont it 2


2 Comments

Clarice · 15 de April de 2016 at 07:15

Isso ai Felipe! Nao é facil, mas com simpatia e boa vontade vcs conseguem se virar… E vao ver que daqui a pouco o vocabulario aumenta e os tempos verbais tbm. E nao se preocupem que a maioria dos italianos nao usa tantos tempos verbais no dia dia… Vc usava o preterito mais q perfeito no Brasil? Nao vai usar aqui ne?

Estudando Italiano - Um retrato das aventuras diárias de um casal de fotógrafos! Viagem, fotografia e vida a dois. · 13 de May de 2016 at 21:07

[…] de mudar para a Italia estudei um pouco de italiano, como já havia dito nesse post aqui e agora que as coisas já estão um pouco mais estabilizadas (temos um Lar) resolvemos retomar os […]

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