Bom, para explicar por que estou usando uma câmera Mirrorless, me sinto obrigado –como professor– a explicar antes alguns tipos de câmeras fotográficas que existem, vamos lá.
Da maior para a menor, existe a câmera de grande formato, as de médio formato, as de pequeno formato e podemos agora incluir as “cropadas”, essas são as câmeras com sensor um pouco menor, do tipo APS-C.
As de grande formato usam uma chapa como filme, essa chapa pode ser de 8”x10” polegadas e só faz uma foto em cada chapa. É muito legal usar esse tipo de camera, pois você tem total controle na área de foco podendo bascular o chassis (onde fica a chapa) e a lente. Se fizermos uma analogia de digital x filme, essa seria uma camera de alta resolução. Era muito usada para fotografia publicitária, pois como a area do negativo ou positivo (filme) era grande, era mais fácil para se recortar algo e aplicar em outra foto. SIM! Era assim que se fazia o que você faz rapidinho no Photoshop hoje em dia: era preciso bisturi, pinça e durex para fazer uma fusão de fotos usando um filme de grande formato.
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(Imagens do site da SINAR)
Na câmera de médio formato o filme podia ter de 6 a 9 poses e ser de 6×9, 6×7, 6×6 cm, era menor que a chapa da grande formato e isso dificultava as intervenções manuais nos negativos já revelados, mas ela era uma câmera muito mais fácil de se carregar que uma de grande formato, que sempre precisaria de um tripé. Então com mais fotos e com tamanho e peso reduzido dava muito mais praticidade ao fotografo.
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(Um exemplo de um kit de equipamento de médio formato, tirei do site)
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(Eu tenho uma Pentax 6×7, ela parece um tanque de guerra, uns 3kg)

(Essa é uma Hasselblad, uma das marcas de médio formato mais famosas, o modelo 500 EL, foi o que fez a primeira foto da terra vista da lua pelo astronauta Neil Armstrong, ela esta na lua ainda, um pouco da historia dela aqui)
Então chegamos na câmera de pequeno formato, essas que usamos com filme 35 mm, que podem proporcionar para a gente entre 12 a 36 poses. Elas são menores que as de médio formato e consecutivamente o seu fotografama (a imagem) também é menor, 24×36 mm . Imaginem se recortar um negativo desses no bisturi não dá muito mais trabalho? E olha que não era nada incomum. Uma câmera de pequeno formato permite muito, mas muito mais versatilidade e praticidade ao fotografo, pois em uma bolsa ele pode ter varias lentes e filmes, pode fotografar na mão sem problema e fotografar de forma mais discreta se for preciso.
Claro que existem outros tipos de câmeras, maiores e menores, mas acho que esses são exemplos mais comuns.
Nas câmeras digitais não temos o filme, mas sim um sensor que capta as imagens e quando esse  sensor é do tamanho do filme de 35 mm, ou seja 24×36 mm, chamamos essa camera de “full frame”, fez sentido tudo isso?
Então, agora chegamos no ponto que eu queria chegar. Comecei a sentir meu equipamento pesado. E “pesado” não só no sentido de quilos, mas me senti preso pelo equipamento, a minha fotografia começou a estagnar e perder energia. Isso acontece com todo fotografo em alguns momentos da carreira, não foi a primeira vez comigo e não será a última. É preciso ficar atento ao mundo ao seu redor para perceber o que esta te puxando para baixo, no meu caso, senti que era o equipamento.
Antes de migrar, era preciso fazer um teste, então comecei a usar mais uma câmera compacta– que amo de coração– a S100 (ela ja tem uma versão mais atualizada a S120).
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Como ela é super compacta comecei a levar ela comigo a todo lugar, virou uma parceira e comecei a fotografar mais (não necessariamente melhor tá) e já era uma evolução do estado que eu estava. Um outro motivo importante na escolha da S100, foram os tipos de arquivo que ela faz, essa pequena notável faz RAW!
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Então se era isso, precisava fazer um upgrade no equipamento pois a S100 não tem a resolução que eu estava acostumado na 5D MKII ( isso eu não queria perder). Comecei a pesquisar sobre as câmeras mirrorless, me apaixonei por algumas, mas a eleita foi a Canon M3. Ela não é tão compacta como a S100, mas é bem menor que a 5D MKII. Com a M3 consigo trocar de lentes, usar os flashs como usava na 5DMKII. O sensor é APS-C, ela é “cropada” (menor que a “full frame” que eu expliquei lá em cima), só isso foi um pesar para mim pois gosto muito de lentes grande angulares e com o crop perco um pouco. Mesmo usando a lente 24 mm pancake, perco um pouco o grande angulo de visão que gosto. Ah! Outra coisa: uso a 24 mm pancake pois o conjunto Câmera e lente fica mais compacto, mas se precisar usar uma lente maior, 50 mm, 100 mm ou 70 200mm, eu ainda posso.
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(Há um rumor que será lançada uma EOS M full frame agora em 2016, vamos ver)
Usar essa câmera me deu praticidade, versatilidade e o mais legal: opções! Sim, com ela me sinto com mais opções, com um ar novo, consigo levar ela para cima e para baixo, facilitando o meu gosto por fotografia de rua e fotojornalismo.
Mas é importante entender que não é a câmera que faz isso, ela só me dá a possibilidade de ser assim, pois facilmente eu poderia me atolar de equipamentos e a leveza iria por água abaixo, o que quero dizer é que não basta trocar de equipamento é preciso entender as necessidades, prós e contras e ver que opções ele te dará. O equipamento que se adapta a você e não o contrario. Já vi muita gente investindo alto em equipamento por que achava que iria melhorar a sua fotografia e advinha? Nada mudou. O equipamento deve ser o seu catalizador.
Faça o seguinte teste, na sua próxima saída fotográfica, seja por hobby ou a trabalho, experimente ir com menos equipamentos, experimente fotografar com uma lente só ou usar uma luz só e depois me conte como foi.


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