Porque troquei uma Full Frame por uma Mirrorless

Particularmente não curto muito ficar falando de equipamento, qual é o melhor ou pior, por que parece um tipo de adoração ao ter e não ao ser, como que para ser o melhor fotógrafo você precisa ter o equipamento mais caro do mundo. Acredito que o melhor equipamento é aquela que você tem na hora da foto! E que o melhor fotógrafo é aquele que sabe usar todo o potencial desse equipamento. Seja uma câmera full frame ou um celular.

m3 nenhum sensor da XTI

Mesmo não curtindo falar desse assunto, vejo que vários grupos de fotografia –fotógrafos experientes e iniciantes– entrando nesse vortex quase sem saída de melhor é igual ao mais caro.

Então resolvi escrever um pouco da minha migração de equipamento e tentar deixar um pouco da minha experiência como uma pequena luz nesse buraco negro mercadológico.

Vamos lá, um pouco da história.

Era uma vez… a minha primeira câmera “profissional” que usei para trabalhar. Era uma ZENIT, então passei para uma Canon EOS 500. Ambas câmeras de filme (não gosto muito do termo analogico, enfim, segue a vida).

 

EOS 500 – Ela tem algumas versões como a N por exemplo

Essa era uma camera guerreira!

A Zenit eu vendi em 2 vezes para uma amiga que nunca me pagou a segunda parte (alou alou caloteira rs) e a 500 vendi para pagar o almoço, tempos difíceis.

Antes de vender a EOS 500 eu comprei a minha primeira digital a EOS 10D. Eram incríveis 6 MP, e LCD gigante!

EOS 10D

(Achei um review sobre ela, aqui)

Junto com ela comprei dois cartões de CD de 512 MB. Isso mesmo, somando os dois eu tinha cerca de 170 fotos!! Dividindo por 36 ( um rolo de filme) eu tinha mais ou menos 5 rolos de filme! UHUUUU! (lembrem-se que eu estava em transição do filme para o digital, então era um pensamento plausível)

 

Para encurtar a história

Da 10D, que era um corpo “profissional” fui para uma XTI. Um corpo mais “amador”. Migrei por que o obturador da 10D já estava chegando ao fim e o ISO dela começou a atrapalhar muito. A XTI era mais moderna, leve e … menor, isso era um problema pois parecia que eu tinha regredido na vida. Pois é, esse é o ponto que quero chegar. Somente eu sentia isso, nenhum dos meus clientes me perguntavam sobre o equipamento, eles só queriam a qualidade das imagens.

Com a XTI fiz de tudo, desde livros de receita até capa de CD. Isso só prova que esta na cabeça do fotógrafo bombardeado por mercado o pensamento que corpo de câmera faz diferença.

Mas então por que eu fui para uma full frame depois?

Dois motivos:

1 – Trabalhos de publicidade, onde as imagens sofreriam grandes intervenções apareceram

2 – Me apaixonei por grande angular

 

Tecnicamente, o que interfere?

 

Com um sensor maior e mais megapixels (MP):

  • A imagem pode ser ampliada sem muita perda (aguenta mais interpolação)
  • ISO’s altos melhores (mais bits nas baixas luzes)
  • Mais profundidade de cor ( pode-se “mexer” mais no Photoshop)

 

Nas duas digitais anteriores o sensor era “cropado”, então a lente grande angular (e todas as outras) sofriam um corte:  uma 20 mm ficava como uma 35 mm, mais ou menos. E como disse eu comecei a curtir muito grande angular e só em uma câmera com sensor maior eu poderia ter uma 20 mm de verdade.

 

Grande parênteses, claro que existiam as lentes EF-s que são para câmeras com sensor APS-C (cropadas), mas não acreditava muito na qualidade delas. Se comparadas as lentes EF da época.  Fecha o grande parênteses.

 

Quando comprei a 5D Mark II, falei para todos que estava casando com a câmera pois ela me atenderia em todas as necessidades por anos,

  • Arquivo final de 30 x 47 cm em 300 ppi (não precisava de nada maior que isso)
  • Qualidade nos ISO’s altos (o ruído não era uma uma tv dos anos 80 fora do ar)
  • Entrada de cabo de sinc (para fotografar em estúdio, ajudava muito)

 

E para mim, esses dois pontos eram cruciais para toda uma vida fotográfica, mas claro que nem tudo são flores,

  • A pouca velocidade de disparo (não fazia muita fotos esporte, mas no fotojornalismo e festa infantil, mais que 3.7 fps faziam falta)
  • Pesada (8 horas com ela no braço não é fácil, mais lente e flash, as vezes grip)

 

Encurtando a história parte 2.

 

Quando se foca em uma area especifica da fotografia, se pode escolher o equipamento perfeito para atuar naquela area, ao inves de ter o equipamento que faz tudo para você poder fotografar o que vier.

 

Acho que essa é a dica pro desse post, quando não se sabe o que vai fotografar você realmente tem que estar preparado para tudo, mas quando se sabe, você pode ter só o necessário para executar com com perfeição aquilo que lhe foi proposto.

 

Por isso, troquei uma Full Frame por uma Mirrorless

 

eosm3510440_6

 

A M3 da Canon, me dá tudo que preciso para minha fotografia atual.

  • 3 fps (depois de quase 20 anos de fotografia eu aperto o disparador com mais consciência, então, não preciso de tanto quadros por segundo)
  • Qualidade das lentes EF-S (hoje eu acredito nelas, e tenho uma 24 mm ef-s colada no adaptador EF-M/EF-S no corpinho da M3)
  • Leveza (Dio, como isso faz diferença, me sinto leve enquanto fotógrafo, essa leveza me dá criatividade e disposição)
  • Eu nem uso tanto o LCD tilt porque comprei junto (em uma super promoção) o visor optico para colocar na sapata do flash (Economizo bateria e ainda tenho acesso a pontos de vista inusitados, fotografando do chão, sem ter que deitar por exemplo)
  • Tecnologia bem atual (tanto de processador como de sensor)

 

Bom, para finalizar!

Volto no ponto que para saber o melhor equipamento para você é preciso saber o que você quer fotografar, enquanto você não conseguir responder essa pergunta (se é que ela precisa ser respondida), você não vai saber qual é o melhor equipamento para você.

Observe sempre as suas necessidades e adeque o equipamento a ela, não o contrário.

 

Para finalizar parte 2 a missão:

Não acredito que ter uma câmera full frame é sinal de sucesso ou de mais profissionalismo, o cliente não está preocupado com isso, ele quer seu olhar, sua criatividade e seu coração, se o cliente te pergunta sobre equipamento ele não é o cliente para você, mesmo se for na área publicitária, se for um cliente sério, ele já sabe o que você usa para fotografar.

 

Olhe para o passado, Robert Capa não usava grande formato e as fotos mais famosas do Ansel Adans não são de 35 mm, faz pensar né? (se você não sabe quem são essas pessoas clique aqui e pesquise)

 

Então é isso, espero poder te ajudar contando um pouco da minha experiência.

 

Sure?

Me deixe saber se te ajudei, comente sobre esse post.

 

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2 comments on “Full Frame Vs Mirrorless
  1. Vinícius Thompson disse:

    Excelente texto, super bem escrito.

    Estou aqui pensando/pesquisando sobre esse dilema: Abandonar as DSLR e migrar para as Mirrorless e ganhar na liberdade de fotografar em qualquer lugar sem chamar a atenção alheia.

    • vooadois disse:

      Olá Vinicius, para mim não tem muito o que perder, mas depende de que camera e do que você precisa, como falei, dependendo da camera ela pode ser lenta em disparos e te deixar não mão! 🙂

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